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TONY DE MARCO
Artista plástico e ama tecnologia. Não é guru, mas conhece um monte deles.

Nosso colunista Tony de Marco decreta: não somos maus, a oferta de música é que é ruim

Os brasileiros têm má fama na internet. Uma faceta dela seria nossa mania de querer tudo de graça. Softwares, músicas, vídeos, fontes, tudo isso é inerente ao computador e, portanto, “tá liberado”. Os mais críticos, olhando também para nosso turbinado mercado negro de DVDs e gatos de TV a cabo, diriam que encaramos a pirataria como uma coisa natural. Será? Peguemos o exemplo da compra de músicas. O surgimento do MP3 quebrou paradigmas, deixando as gravadoras em pânico. De lá para cá, muitos sites de pirataria abriram e fecharam dezenas de vezes. Mas a lentidão do pier to pier inviabiliza seu uso por pessoas que já saíram da adolescência. Sem tempo, mas com um cartão de crédito no bolso, os brasileiros dispostos a pagar para ouvir música sofrem por outros motivos. A falta de acesso à iTunes Music Store, a maior e mais bem organizada loja da web, sempre foi motivo de tristeza por essas bandas. Mesmo que fosse possível, as músicas são caras e a maioria tem DRM, uma retrógrada restrição ao número de cópias que você pode fazer após comprar. Eis que a Amazon chegou chutando o balde, vendendo MP3 sem DRM, a preço de banana. Depois que o site fechou um acordo com a Pepsi para distribuir 800 milhões de músicas, as gravadoras estão fazendo fila para entrar na dança. A maior vendedora de livros promete ser a maior vendedora de música mas, por enquanto, só vai atender aos mercados onde já possui site localizado. Ou seja, em breve, chineses, franceses e até mesmo os argentinos poderão comprar suas cúmbias por míseros centavos de dólar. Os brasileiros? Chupam o dedo. Os sites brasucas também não ajudam. Interfaces feiosas e pouco intuitivas tiram o prazer de fuçar o conteúdo. Também falta catálogo. Enquanto o iTunes ostenta 7 milhões de músicas, o UOL Megastore tem pouco mais de 500 mil. Sentiu o drama? Mas o que pega mesmo é o preço, salgadíssimo: R$ 1,99 ainda é muito. Mas há exceções. A distribuidora Tratore colocou um monte de músicas a R$ 0,30 no UOL. É um bom começo, mas ainda falta muito para nossa injusta má fama desaparecer. Com todos com quem converso a respeito, parece haver um  consenso de que, se o site for bem feito (cadê essa Web 2.0 na música?), se a variedade de títulos for grande e se o preço for justo (leia-se baixo), todo mundo vai comprar música. Até os brasileiros.

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