A
IDADE É uma coisa terrível. Ali está você, envelhecendo desgraçadamente, tendo o benefício de toda aquela experiência e maturidade, quando chega A Grande Promessa, todo metido, terno novo e novas idéias. É assim com o Porsche 911, um carro que apareceu há 43 anos e que dominou o ninho dos supercarros desde então. Agora, no entanto, ele tem de enfrentar o último competidor, o super antecipado Audi R8, um carro que fez mais gente prender a respiração do que o Titanic. Vamos lá, velhinho, que comece a disputa.
COMO ELES SÃO PARA DIRIGIR? Em uma palavra, brilhantes. Em outra palavra, fenomenais. Ambos são ótimos, ainda que de maneiras diferentes. Gire a chave do Audi e o drama começa, com a risada aguda do motor de partida, seguida de um ronco imenso enquanto o motor V8 de 4.2 litros esquenta. O Audi não deixa dúvidas de que o complemento total de 414 cv e 43,9 kgfm de torque está presente, à espera do seu comando. Coloque o câmbio aberto de metal em primeira, solte a embreagem e você parte – fácil, sem problemas de temperamento ou pistas da ferocidade de movimentos que o R8 é capaz. No entanto, depois que você cai na estrada e seu carro se depara com o tapete pela primeira vez, prepare-se para soltar alguns elogios. O R8 dispara adiante rapidamente, mas quando o contador de giros atinge 3 500 rpm, ele se lança para frente, com um apetite aparentemente voraz para devorar o asfalto diante de si, sempre acompanhado de um uivo raivoso do V8 atrás. Quase que instantaneamente, você chega à linha vermelha de 8 000 rpm, e é hora de alcançar a outra marcha.
Mas você não pode simplesmente dar um empurrão entre as marcações; o câmbio tem de ser suavemente movido e deixado no ponto apropriado, com um grau de cuidado se quiser evitar grunhidos inconvenientes. Chega a primeira curva, e com ela mais alguns adjetivos de espanto são pronunciados. Quase que independentemente da velocidade de entrada, o R8 segue a linha escolhida através de qualquer canto, antes de chamar a sua tração nas quatro rodas para se catapultar até a próxima reta. Nosso carro estava equipado com a opção Magnetic Ride, que vale a pena especificar, porque mistura um passeio confortável com respostas ágeis de manuseio. A direção é precisa e direta, e permite que você saiba pelo menos um pouco da tortura pela qual os pneus dianteiros estão passando. Os freios são similares – parecem fortes e suaves o suficiente, mas você não consegue afastar a sensação de que há apenas uma fina camada de tecnologia entre você e o último feedback.
É aqui que o Porsche pontua, porque enquanto a direção e os freios do Audi sussurram a informação de volta para você, o 911 tagarela positivamente quantos detalhes você agüentar. Você não apenas fica sabendo exatamente o estado da superfície da estrada abaixo, mas se dirigir sobre um pacote de salgadinhos, quase conseguirá dizer o sabor exato do seu conteúdo. O mesmo vale para os freios, com o pedal do meio dizendo precisamente o que acontece debaixo de você no limite. O problema do Porsche é que, no final das contas, seus limites são inferiores aos do R8. Você não pode se comprometer com as curvas com a mesma convicção que com o Audi, porque seus pneus dianteiros perdem aderência antes.
Além disso, mudanças rápidas de direção fazem saber que há um motorzão pendurado abaixo do eixo traseiro, pronto para se tornar um grande peso pendular. Dito isso, uma vez que o 911 está ajustado em um canto e você pode voltar a acelerar, ele adere e dispara rapidamente. O carro que testamos tinha US$ 16 500 de melhorias no motor, potência elevada da “normal” 350 cv para 381 cv, e torque de 40,8 kgfm para 42,4 kgfm. O custo / benefício parece alto, mas a performance é mais do que suficiente para deixar seu coração agitado quando você atinge a linha vermelha das 7 000 rpm pela marcha de seis velocidades.
COMO ELES SÃO NO DIA-A-DIA? Mais fáceis do que você imagina. Já se foi o dia em que viver com um super carro significava dor na coluna, dor de cabeça e enviar a bagagem com antecedência. Ambos os carros têm espaço na cabine de couro para dois. Apesar de o Porsche ter dois assentos traseiros, eles são mais bem reservados para bagagem, porque adultos não cabem ali, e qualquer um pequeno o suficiente para caber precisaria de uma cadeirinha de criança – que não caberia. O Audi só tem dois assentos, mas tem um espaço de 90 litros atrás dos dois assentos para sacolas de supermercado. Os porta-malas dos dois ficam no nariz e são similares em capacidade, com o 911 segurando 5 litros a mais. O do Porsche é mais fundo que o do Audi, mas o do R8 é mais largo e comprido. Você decide…
ELES QUEBRARÃO A BANCA? Abra sua carteira, e muito bem aberta. Ambos os carros custam acima de R$ 440 000, sendo o Audi mais caro por cerca de R$ 30 000. No entanto, depois que alguns extras são especificados, tudo se iguala (será que é realmente razoável a Porsche cobrar US$ 500 por um limpador de vidro traseiro?). Enquanto o Audi cobre 8,2 km com 1 litro de combustível, o 911 faz 10,2 km/l. Quando você for revender, descobrirá que os valores residuais do Audi também serão ajudados pelo fato de ele parar o trânsito aonde quer que vá. O R8 sempre atrairá uma multidão, enquanto o 911 é uma vítima de sua própria popularidade – existem muitos por aí.
STILE DIZ:O Audi é de queimar o asfalto, é aderente o suï¬ciente nas curvas para causar um deslocamento de disco, e ainda é lindo. Aonde íamos, ele atraía uma multidão. O 911 tem como sempre, uma performance excepciona mas não consegue acompanhar o R8, e não
atraiu tantos olhares. Como ambos são similares em termos práticos e de custo, o R8 vence o duelo. Falando em supercarros, ele é mais, bem... super.
1º Audi R8 VEREDICTO Ótimo de olhar e de usar, e extremamente veloz. Uma pena que seja tão difícil de encontrar
2º Porsche 911VEREDICTO Um ótimo carro para a estrada, mas tem diï¬culdade com altas velocidades.
DICA DO QUINTA: Meu sonho sempre foi possuir um Porsche 911. Até marquei data para comprar um. Mas depois que dirigi... pilotei o Audi R8 no circuito de Las Vegas, mudei minha aposta. O R8 queimou o asfalto e... hummm... pela primeira vez na vida fiquei em dúvida. O R8 é mais carro? É. Vai “pegar” no Brasil? Talvez. Meu coração bate: Porsche! Porsche!